Absolar define agenda de energia solar e baterias para o próximo governo brasileiro
Absolar lança plano de ação para o próximo governo, detalhando metas de expansão solar, investimentos em baterias e estratégias para acelerar a transição energética no Brasil.
O que: a Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar) divulgou uma agenda estratégica para o próximo governo, focada na expansão da geração solar e no desenvolvimento de sistemas de armazenamento de energia. Quem: o documento foi elaborado por representantes da indústria, pesquisadores e consultores de política energética. Quando: a proposta foi apresentada em 28 de julho de 2026, durante a conferência anual da Absolar em São Paulo. Onde: a agenda visa todo o território nacional, com ênfase nas regiões Nordeste e Sudeste, onde o potencial solar é mais elevado. Por que: a iniciativa busca atender à meta de 45 % de energia limpa na matriz elétrica até 2030, reduzir a dependência de hidrelétricas vulneráveis a secas e criar um mercado de baterias que suporte a intermitência da geração renovável.
Contexto global e brasileiro
Em 2023, a energia solar representou 3,3 % da geração mundial, mas já responde por 10 % da capacidade instalada total, segundo a International Renewable Energy Agency (IRENA). Os Estados‑Unidos e a China ultrapassaram a marca de 200 GW cada, enquanto a União Europeia chegou a 150 GW. No Brasil, a capacidade solar instalada atingiu 15,2 GW em dezembro de 2025, equivalente a 9,6 % da matriz elétrica, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Desempenho recente
O crescimento anual médio da energia solar brasileira foi de 34 % entre 2020 e 2025, impulsionado por leilões de energia, linhas de crédito do BNDES e a redução do custo nivelado de energia (LCOE) de US$ 120/MWh para US$ 68/MWh. Contudo, a expansão ainda está concentrada em grandes projetos de utilidade pública; a geração distribuída (GD) representa apenas 3,2 GW, embora tenha registrado 78 % de crescimento em 2025.
Dados e fatos da agenda Absolar
- Meta de capacidade solar: alcançar 30 GW de capacidade instalada até 2030, dobrando o patamar atual.
- Investimento previsto: R$ 210 bi em novos projetos solares, com aporte de US$ 40 bi de capital estrangeiro.
- Mercado de baterias: criar 10 GW de capacidade de armazenamento em baterias de íon‑lítio até 2030, equivalente a 30 % da capacidade de geração solar.
- Incentivo fiscal: proposta de isenção de IPI e redução de ICMS para equipamentos de energia solar e baterias, estimada em economia de R$ 12 bi para o setor.
- Regulação: revisão da Resolução Normativa 482/2012 da ANEEL, simplificando processos de conexão e permitindo “grid‑forming” com baterias.
- Capacitação: treinamento de 150 mil profissionais técnicos em instalação e manutenção de sistemas fotovoltaicos e de armazenamento.
Financiamento e modelos de negócio
O plano propõe três linhas de crédito prioritárias: (i) Fundo de Investimento em Energia Limpa (FIEL) com taxa de juros de 4,5 % ao ano; (ii) Operação de Garantia de Recebíveis (OGR) para PPAs de longo prazo; (iii) Parcerias público‑privadas (PPP) para micro‑redes em áreas rurais, estimando um volume de R$ 35 bi em concessões até 2029.
Como funciona na prática
Para transformar a meta em realidade, a agenda detalha três pilares operacionais:
- Desenvolvimento de parques solares de grande escala: projetos de 200‑500 MW em estados como Ceará, Piauí e Minas Gerais, integrados a subestações de 500 kV que já foram planejadas nas linhas de transmissão da UHE Alto Taquari.
- Expansão da geração distribuída: simplificação do processo de aprovação de sistemas residenciais de até 15 kW, reduzindo o tempo de conexão de 90 para 30 dias. A proposta inclui um “kit solar” subsidiado em R$ 3.500 para famílias de baixa renda, financiado por bancos regionais.
- Implementação de baterias de escala comercial: instalação de sistemas de 2‑5 MWh em indústrias de alimentos, siderúrgicas e data centers, com contratos de “energy‑as‑a‑service” que garantem retorno de investimento em 5‑7 anos.
Um exemplo prático já em fase piloto é o projeto da empresa SolarX em Juazeiro do Norte (CE), que combina 150 MW de PV com 30 MWh de baterias de lítio, reduzindo a conta de energia da concessionária em 18 % e permitindo a oferta de tarifa diferenciada para consumidores críticos.
Desafios reais
Apesar das metas ambiciosas, a agenda reconhece obstáculos críticos:
- Logística de componentes: a cadeia de suprimentos de módulos fotovoltaicos e células de lítio ainda depende de importação (85 % dos módulos vêm da China). Reduzir a dependência requer investimento em fábricas locais, estimado em R$ 45 bi.
- Regulação de interconexão: atrasos na liberação de estudos de viabilidade e licenças ambientais aumentam o custo de conexão em até 25 %.
- Tarifas de energia: a volatilidade do preço do dólar afeta o custo dos equipamentos, exigindo mecanismos de hedge ou contratos de longo prazo.
- Capacidade de transmissão: a expansão da rede de alta tensão ainda está abaixo da demanda projetada; a ANEEL estima necessidade de 12 GW de novas linhas até 2030.
Perspectivas concretas
Com base nos cenários da BloombergNEF, o Brasil poderia alcançar 55 GW de energia solar até 2035 se mantiver o ritmo atual de investimentos. A agenda da Absolar, ao dobrar a capacidade até 2030, coloca o país entre os cinco maiores mercados solares da América Latina.
Além do aspecto ambiental, a criação de um mercado de baterias de 10 GW pode gerar até 120 mil empregos diretos, segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A produção local de baterias também reduziria a pegada de carbono associada ao transporte internacional de componentes.
Conclusão e próximo passo para o leitor
Para que a agenda se torne realidade, o próximo governo precisará aprovar o pacote de incentivos fiscais, acelerar a revisão normativa da ANEEL e garantir financiamento público‑privado consistente. Enquanto isso, consumidores residenciais podem começar a se beneficiar ao solicitar orçamentos de sistemas de 5 kW a 10 kW, comparar tarifas de energia e avaliar a viabilidade de contratos de leasing de baterias domésticas, que já chegam ao mercado com custos iniciais abaixo de R$ 2.500.
Em síntese, a proposta da Absolar oferece um roteiro técnico‑econômico detalhado, alinhado às metas climáticas globais e às necessidades energéticas brasileiras. Se implementada, a agenda tem potencial de transformar o Brasil em um hub de energia solar e armazenamento na América Latina.
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