Absolar propõe agenda nacional de energia solar e armazenamento para o próximo governo
Absolar divulga plano detalhado para acelerar a adoção de energia solar e baterias no Brasil, com metas de 30 GW de geração solar e 15 GW de armazenamento até 2035.
O que: Absolar lançou uma agenda estratégica para o próximo governo focada em energia solar e baterias; quem: a associação de empresas e institutos de energia solar do Brasil; quando: documento divulgado em 27 de agosto de 2026; onde: todo o território nacional, com ênfase nas regiões Nordeste e Sudeste; por que: acelerar a descarbonização, reduzir a conta de luz e atender à meta de 48 % de energia renovável na matriz elétrica até 2035.
Contexto global e brasileiro
Em 2024, a energia solar representou 32 % da capacidade instalada mundial, segundo a International Renewable Energy Agency (IRENA). A China lidera com 1 098 GW, seguida pelos EUA (290 GW) e pela Índia (150 GW). O Brasil, com 15,2 GW de solar em operação ao final de 2025, ainda ocupa a 10ª posição global, mas tem potencial para subir rapidamente devido ao seu alto índice de radiação (entre 5,5 e 6,5 kWh/m²/dia) e à extensão de áreas disponíveis.
Dados e fatos que sustentam a proposta
- Meta de capacidade solar: 30 GW até 2035, o que dobraria a capacidade atual.
- Meta de armazenamento: 15 GW de baterias de íon‑lítio e fluxo, suficiente para 30 % da energia solar gerada.
- Investimento estimado: US$ 45 bi (R$ 225 bi) em projetos de geração + US$ 12 bi (R$ 60 bi) em armazenamento.
- Redução esperada da conta de luz: 12 % média para consumidores residenciais, 8 % para industriais.
- Emissões evitadas: 140 MtCO₂/ano, equivalente a retirar 30 milhões de veículos de circulação.
Como a agenda propõe transformar a prática
A proposta está estruturada em quatro pilares:
- Incentivo fiscal: criação de um regime de crédito de ICMS de 30 % para equipamentos de geração e armazenamento instalados até 2028.
- Financiamento de longo prazo: linha de crédito de R$ 150 bi pelo BNDES, com taxa de juros de 4,5 % ao ano, destinada a projetos acima de 5 MW.
- Regulamentação simplificada: redução do prazo de licenciamento ambiental de 12 para 6 meses, com uso de processos digitais.
- Capacitação e pesquisa: aumento de 200 % no orçamento da Embrapa Energia Solar e criação de 12 centros de inovação em parceria com universidades federais.
Na prática, um produtor rural do interior de Minas Gerais poderia instalar 5 MW de painéis fotovoltaicos (custo médio de US$ 850/kW) e 2 MW de baterias de fluxo (US$ 1.200/kWh). Com o crédito de ICMS e a taxa de financiamento reduzida, o payback cairia de 7 para 4,5 anos, tornando o investimento atrativo mesmo sem subsídios diretos.
Desafios reais a serem superados
Apesar da proposta ser robusta, três obstáculos críticos permanecem:
- Logística de transmissão: o atual plano de expansão de linhas de alta tensão cobre apenas 55 % das áreas com maior potencial solar, exigindo investimento adicional de US$ 8 bi.
- Escassez de matérias‑primas: a demanda global por lítio e cobalto pode elevar preços em até 35 % até 2030, pressionando o custo das baterias.
- Barreiras regulatórias estaduais: alguns estados ainda mantêm tarifas de ICMS diferenciadas que podem distorcer o mercado.
Perspectivas concretas
Se a agenda for adotada integralmente, o Brasil poderia alcançar:
- Capacidade solar de 30 GW, gerando cerca de 65 TWh/ano – equivalente a 23 % da demanda elétrica nacional.
- Armazenamento de 15 GW, permitindo que 30 % da energia solar seja consumida fora do horário de pico.
- Redução de perdas no sistema de transmissão de 8 % para 5 % graças à descentralização.
Comparado ao cenário “business‑as‑usual”, que projeta 22 GW de solar e 7 GW de baterias em 2035, a agenda da Absolut gera um ganho de 36 % em geração e 114 % em armazenamento.
Conclusão e próximo passo para o leitor
Para quem acompanha a transição energética, o documento da Absolar oferece um roteiro claro e mensurável. O próximo passo imediato é a mobilização de investidores e a pressão sobre os legisladores estaduais para harmonizar a política de ICMS. Enquanto isso, consumidores e empresas podem começar a analisar projetos de autoconsumo com armazenamento, aproveitando as linhas de crédito já disponíveis no BNDES. A agenda demonstra que, com políticas coordenadas, o Brasil tem condições de liderar a América Latina na combinação de solar + baterias, contribuindo significativamente para os compromissos climáticos do País.
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