Brasil pode aproveitar o 'powershoring' com energia limpa para atrair empresas, diz estudo
Estudo revela que o Brasil tem condições de se tornar hub de 'powershoring' ao combinar energia renovável abundante e custos competitivos, atraindo investimentos de tecnologia e manufatura.
Lide
O Brasil tem potencial para se tornar um polo de powershoring – relocação de indústrias que buscam energia limpa e barata – ao oferecer tarifas médias de R$ 120/MWh em 2024, segundo estudo da ABER divulgado em junho, atraindo empresas de semicondutores, data centers e manufatura avançada.
Contexto global
Nos últimos três anos, a demanda por energia renovável nas cadeias de suprimentos globais cresceu 27 %, impulsionada por políticas de descarbonização da UE e dos EUA. Países como Vietnã, México e Polônia já anunciaram incentivos para powershoring, combinando tarifas de energia abaixo de US$ 0,06/kWh com zonas econômicas especiais.
Dados e fatos sobre o Brasil
- Capacidade instalada de energia renovável: 173 GW (84 % da matriz), sendo 124 GW de hidroelétrica, 30 GW de eólica e 19 GW de solar (2023).
- Investimento estrangeiro direto (IED) em energia limpa: US$ 12,3 bi em 2022, crescimento de 42 % em relação a 2020.
- Tarifa média de energia industrial: R$ 120/MWh (≈ US$ 0,022/kWh) – 35 % abaixo da média da América Latina.
- Projeto de interconexão de 3,5 GW entre os estados de São Paulo e Minas Gerais, concluído em 2023, reduz perdas de transmissão em 12 %.
Como funciona na prática
Empresas que adotam powershoring firmam contratos de compra de energia (PPAs) de longo prazo com geradores renováveis. O modelo reduz a volatilidade de custos e permite planejar expansão de capacidade produtiva sem risco de aumentos tarifários. No caso da Intel, que anunciou a construção de uma fábrica de chips em Manaus, o PPA de 500 MW de energia eólica da região de Ceará garante preço fixo por 15 anos, resultando em economia estimada de US$ 150 milhões ao longo do contrato.
Exemplo de data center
O data center da Amazon Web Services em São Paulo opera 80 % da energia consumida a partir de um parque solar de 200 MW, instalado em Pirapora (MG). O custo de energia para o centro é 30 % menor que o de concorrentes europeus, permitindo preços mais competitivos para clientes corporativos.
Desafios reais
- Infraestrutura de transmissão: apesar dos novos projetos, linhas de alta tensão ainda apresentam perdas de até 14 % em áreas remotas, o que eleva o custo efetivo da energia.
- Regulação: o regime de leilões de energia ainda privilegia grandes concessionárias; a criação de mecanismos de “green auctions” específicos para PPAs corporativos está em fase de debate no Congresso.
- Capacidade de armazenamento: o Brasil possui apenas 1,2 GW de baterias operacionais, insuficiente para garantir fornecimento estável em períodos de baixa geração solar ou eólica.
Perspectivas concretas
O Plano Nacional de Energia 2030 projeta a adição de 45 GW de capacidade renovável até 2030, com foco em energia solar distribuída. Se o governo aprovar o Marco Legal da Energia Limpa até o fim de 2025, espera‑se um aumento de 18 % no IED em setores de alta tecnologia, totalizando US$ 45 bi em investimentos acumulados.
Além disso, a criação de zonas econômicas verdes em portos de Santos e Rio Grande do Sul pode atrair até 200 fábricas de semicondutores, gerando 350 mil empregos diretos e 1,2 mi de indiretos, segundo projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Conclusão e próximo passo para o leitor
Para empreendedores e investidores, o caminho imediato é mapear parques renováveis com capacidade ociosa e iniciar negociações de PPAs. Plataformas digitais como PowerBridge já listam projetos com disponibilidade de até 2 GW a preços competitivos. Avaliar a viabilidade de instalar micro‑grids ou sistemas de armazenamento local pode ser o diferencial que transforma um projeto de manufatura em um caso de sucesso de powershoring no Brasil.
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