FIERN visita planta de hidrogênio verde em Alto do Rodrigues (RN) e avalia expansão nacional
A visita da FIERN à planta de hidrogênio verde em Alto do Rodrigues (RN) destaca investimentos, capacidade de produção e desafios para o Brasil alcançar a meta de 10 GW de energia verde até 2030.
Lide
Em 12 de março de 2024, a Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN) visitou a planta piloto de hidrogênio verde em Alto do Rodrigues (RN), onde a empresa GreenEnergy Brasil, em parceria com a Siemens Energy, iniciou a produção de 2,5 MW de hidrogênio a partir de energia eólica, visando abastecer a indústria petroquímica da região e servir de modelo para futuros projetos de escala gigawatt no país.
Contexto global e nacional
O hidrogênio verde, produzido por eletrólise alimentada por fontes renováveis, já representa 1,2 % da produção mundial de hidrogênio, mas projeções da International Energy Agency (IEA) apontam para 12 % até 2030, com investimento acumulado estimado em US$ 1,5 trilhão. No Brasil, o Plano Nacional de Hidrogênio (PNH) estabelece a meta de 10 GW de capacidade de produção verde até 2030, o que equivale a aproximadamente 300 mil toneladas de hidrogênio por ano.
Dados e fatos da planta de Alto do Rodrigues
A instalação ocupa 12 hectares e incorpora 8 turbinas eólicas de 3 MW cada, totalizando 24 MW de potência elétrica. O eletrolisador de membrana PEM (Proton Exchange Membrane) tem capacidade de 2,5 MW, produzindo cerca de 55 kg de hidrogênio por hora, ou 0,48 tonelada por dia. O custo nivelado de energia (LCOE) da energia eólica no local foi calculado em R$ 78/MWh, enquanto o custo de produção de hidrogênio verde ficou em torno de R$ 12,50/kg, ainda acima do preço médio de hidrogênio cinza (R$ 5,80/kg) mas competitivo frente ao hidrogênio azul (R$ 9,30/kg) quando se consideram créditos de carbono.
Como funciona na prática
O processo inicia-se com a conversão da energia eólica em corrente alternada, que passa por um conversor de frequência antes de alimentar o eletrolisador PEM. A água de alta pureza, proveniente de um poço artesiano tratado, é injetada na célula eletrolítica, onde a corrente elétrica separa o hidrogênio do oxigênio. O hidrogênio gasoso é então comprimido a 350 bar e armazenado em cilindros de aço carbono, prontos para distribuição via caminhões-tanque para a Indústria Química de Parnamirim, a 30 km de distância. O oxigênio residual, de pureza 99,5 %, é vendido para processos de corte a plasma na região, gerando receita adicional.
Desafios reais
- Custos de capital: o investimento inicial foi de R$ 250 milhões, dos quais 45 % foram financiados por linhas de crédito do BNDES com taxa de juros de 4,2 % ao ano.
- Escala: a produção de 2,5 MW ainda representa menos de 0,03 % da meta nacional; a replicação de projetos similares exige redução de custos de eletrolisadores em pelo menos 30 %.
- Infraestrutura de transporte: a falta de gasodutos dedicados ao hidrogênio no Nordeste obriga o uso de transporte rodoviário, elevando custos logísticos em cerca de 15 %.
- Regulação: ainda não há normativa específica para certificação de hidrogênio verde no Brasil, o que dificulta a obtenção de incentivos fiscais.
Perspectivas concretas
Com base nos resultados da fase piloto, a GreenEnergy Brasil projeta a expansão da planta para 20 MW até 2027, o que aumentaria a produção diária para 3,8 toneladas. O estado do Rio Grande do Norte já aprovou um decreto que oferece isenção de ICMS para projetos de hidrogênio verde acima de 5 MW, criando um ambiente regulatório mais favorável. Além disso, o Ministério de Minas e Energia (MME) lançou o Programa de Incentivo ao Hidrogênio Verde (PIHV), que prevê subsídios de até 30 % para eletrolisadores de alta eficiência (≥ 80 % de eficiência eletroquímica).
Conclusão e próximo passo para o leitor
A visita da FIERN confirma que o modelo de produção de hidrogênio verde em Alto do Rodrigues pode ser replicado em outras regiões com alto potencial eólico, como o interior de Minas Gerais e o Piauí. Para empresas e investidores, o próximo passo concreto é mapear oportunidades de parceria com parques eólicos existentes, avaliar linhas de crédito do BNDES e acompanhar a tramitação da lei federal de certificação de hidrogênio verde, prevista para aprovação no final de 2024. A adoção precoce desses projetos pode reduzir custos em até 20 % nos próximos cinco anos e posicionar o Brasil como líder na cadeia de valor do hidrogênio na América Latina.
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