Absolar reúne líderes para avançar hidrogênio e armazenamento em São Paulo

Absolar reúne líderes para avançar hidrogênio e armazenamento em São Paulo

Encontro da Absolar traz especialistas globais e nacionais para discutir o futuro do hidrogênio verde e soluções de armazenamento energético no Brasil em 2026.

São Paulo, 12 de outubro de 2026 – mais de 300 executivos, pesquisadores e decisores políticos se reuniram no Hotel Unique para o primeiro grande encontro da Absolar dedicado ao hidrogênio verde e ao armazenamento energético, com o objetivo de acelerar a meta nacional de 30 GW de capacidade de hidrogênio até 2030.

Contexto global e brasileiro

Em 2025, a produção mundial de hidrogênio verde ultrapassou 40 milhões de toneladas, impulsionada por políticas da União Europeia que destinam € 200 bilhões até 2030 ao desenvolvimento de infraestruturas de hidrogênio. Os Estados Unidos anunciaram um plano de US$ 15 bilhões para eletrolisadores de alta eficiência, enquanto a China já instalou 12 GW de capacidade de eletrolisadores em 2025.

No Brasil, a Estratégia Nacional de Hidrogênio (ENH) revisada em janeiro de 2026 projeta a instalação de 8 GW de eletrolisadores até 2030, com foco nas regiões Norte e Nordeste, onde a energia solar média supera 2 500 kWh/m²/ano. O país ainda importa cerca de 70 % do hidrogênio usado em refinarias, o que representa um custo de R$ 12 bilhões anuais.

Dados e fatos do encontro

  • Investimento total anunciado: R$ 3,2 bilhões em projetos de hidrogênio verde, incluindo 2,1 GW de eletrolisadores de membrana de troca aniónica (AEM) e 1,1 GW de projetos piloto de armazenamento de hidrogênio em cavernas salinas.
  • Participação de 12 países, entre eles Alemanha, Japão e Austrália, que apresentaram estudos de caso com custos de produção abaixo de US$ 2,5/kg.
  • Parceria entre a Petrobras e a startup brasileira GreenCell para converter 500 MW de gás natural em hidrogênio azul com captura de carbono de 95 %.

Como funciona na prática

Os eletrolisadores AEM exibidos pela empresa sueca Nel Hydrogen demonstraram uma eficiência energética de 73 %, superior aos 68 % dos eletrolisadores alcalinos tradicionais. Em um piloto de 100 MW instalado no Piauí, a produção diária estimada é de 8 toneladas de H₂, suficiente para abastecer 1,2 mil veículos a célula de combustível por dia.

Para o armazenamento, a empresa francesa McPhy apresentou um módulo de compressão de 150 bar capaz de armazenar 5 MW·h em tanques de fibra de carbono, reduzindo o custo por kg armazenado de US$ 0,45 (2025) para US$ 0,32 em 2026, graças a processos de reciclagem de materiais.

Aplicações práticas demonstradas

  1. Combustão em fornos de siderurgia em Minas Gerais, reduzindo emissões de CO₂ em 30 %.
  2. Abastecimento de frotas de ônibus em São Paulo, com 200 veículos operando a partir de hidrogênio produzido localmente.
  3. Integração com baterias de fluxo vanádio em parques solares do Ceará, permitindo descarga de até 4 h sem sol.

Desafios reais

Apesar do entusiasmo, o setor ainda enfrenta barreiras de custo e regulação. O preço médio do hidrogênio verde no Brasil foi de R$ 14,8/kg em setembro de 2026, ainda 2,5 vezes maior que o hidrogênio fóssil. A falta de um padrão nacional para certificação de “hidrogênio verde” dificulta a negociação internacional.

Do ponto de vista técnico, a degradação dos eletrolisadores AEM ainda apresenta uma queda de 0,8 % na eficiência ao longo de 5 000 h de operação, exigindo estratégias de manutenção preditiva baseadas em IA, que ainda são adotadas por menos de 15 % das instalações.

Perspectivas concretas

Analistas da BloombergNEF projetam que, se o Brasil mantiver o ritmo atual de investimentos, a produção de hidrogênio verde pode alcançar 1,2 milhões de toneladas por ano em 2030, representando 12 % da demanda global prevista para aquele período.

O governo federal, através da Agência Nacional de Energia (ANEEL), planeja publicar em dezembro de 2026 um regulamento de “tarifa de apoio ao hidrogênio verde”, que deve garantir um preço de apoio de US$ 3,5/kg, suficiente para tornar os projetos de até 2 GW economicamente viáveis.

Conclusão e próximo passo para o leitor

O encontro da Absolar sinaliza que o Brasil está pronto para transformar seu potencial solar em hidrogênio verde competitivo. Para profissionais do setor, o próximo passo imediato é monitorar a publicação da tarifa de apoio e avaliar oportunidades de parceria com projetos de armazenamento em cavernas salinas, que prometem custos de armazenamento abaixo de US$ 0,30/kg até 2028.

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