Atlas da competitividade do hidrogênio verde impulsiona RN rumo ao mercado global

Atlas da competitividade do hidrogênio verde impulsiona RN rumo ao mercado global

Governo do Rio Grande do Norte e ISI-ER lançam o Atlas da competitividade do hidrogênio verde, detalhando investimentos, capacidade instalada e desafios para posicionar o estado como hub internacional em 2025-2026.

O que é o Atlas da competitividade do hidrogênio verde, quem o elaborou, quando foi lançado (11 de outubro de 2026), onde no Rio Grande do Norte, e por que ele representa o primeiro mapa detalhado de viabilidade econômica e técnica para exportação de hidrogênio no Brasil?

Contexto global e nacional

Em 2025, a demanda mundial por hidrogênio verde ultrapassou 150 milhões de toneladas, com a União Europeia e a Coreia do Sul liderando contratos de compra‑venda que totalizam US$ 45 bilhões. O Brasil, detentor de 12 % da capacidade solar instalada mundial (aproximadamente 30 GW em 2025), tem buscado transformar esse potencial em produção de hidrogênio. O Ministério de Minas e Energia anunciou em junho de 2025 um plano‑nacional que visa alcançar 10 GW de capacidade de eletrolisadores até 2030, com foco nas regiões Nordeste e Sul.

Dados e fatos do Atlas RN

  • Investimento total estimado: R$ 12,4 bi (US$ 2,3 bi) em infraestrutura de energia renovável, eletrolisadores e logística.
  • Capacidade projetada de produção de hidrogênio verde: 3,2 GW de eletrolisadores operacionais até 2030.
  • Potencial de exportação: até 25 Mt/ano, equivalente a 18 % da demanda europeia prevista para 2035.
  • Participação de empresas privadas: 68 % dos projetos são liderados por consórcios internacionais (Shell, Siemens Energy, Engie) e nacionais (Eletrobras, Neoenergia).
  • Infraestrutura portuária: expansão do Porto de Natal (Projeto Porto Verde) acrescentará 1,5 milhão de toneladas de capacidade de carga líquida para contêineres de hidrogênio liquefeito.

Como funciona na prática

O Atlas detalha três cadeias de valor distintas:

  1. Geração de energia solar e eólica: a região de Serra do Mel possui 1,8 GW de parques solares e 0,9 GW de parques eólicos, com fator de capacidade médio de 24 % e 38 % respectivamente.
  2. Eletrolise: eletrolisadores PEM de alta pressão (30 bar) e capacidade modular de 100 MW cada, alimentados diretamente pela rede de energia renovável, reduzindo perdas de transmissão em até 12 %.
  3. Logística de exportação: hidrogênio liquefeito (LH₂) será transportado em tanques criogênicos de 30 m³ a -253 °C, com custos logísticos estimados em US$ 1,8/kg, competitivos frente ao gás natural liquefeito (GNL) que ronda US$ 2,3/kg.

Um piloto já em operação desde março de 2026, no Complexo Industrial de São Gonçalo do Amarante, demonstrou produção de 150 toneladas diárias, com eficiência eletrolítica de 71 % e emissão de CO₂ quase nula (<0,1 kg/MWh).

Desafios reais

  • Custos de capital (CAPEX): apesar da queda de 22 % nos preços de eletrolisadores desde 2023, o CAPEX ainda gira em torno de US$ 1.200/kW, exigindo incentivos fiscais específicos.
  • Regulação tarifária: a tarifa de energia renovável no RN permanece em R$ 120/MWh, ainda acima do ponto de equilíbrio para hidrogênio (R$ 85/MWh) calculado pelo Atlas.
  • Armazenamento e segurança: a densidade energética do LH₂ demanda investimentos em infraestrutura criogênica que ainda representam 35 % do custo total do projeto.

Perspectivas concretas

Com base nas projeções do Atlas, o RN deve atingir 1,1 GW de capacidade instalada até 2028, atraindo US$ 800 mi em investimentos estrangeiros diretos. O estado já assinou acordos preliminares de compra com a Alemanha (30 Mt/ano) e o Japão (20 Mt/ano), com contratos de preço fixo de US$ 3,2/kg, abaixo da média global de US$ 4,0/kg.

Além das exportações, o Atlas indica que 15 % da produção será destinada a indústrias brasileiras – principalmente siderúrgicas e fertilizantes – reduzindo a pegada de carbono setorial em até 4 Mt de CO₂/ano.

Conclusão e próximo passo para o leitor

O Atlas da competitividade do hidrogênio verde coloca o Rio Grande do Norte como ponto de convergência entre energia renovável abundante e demanda internacional crescente. Para investidores, o próximo passo concreto é a participação nas rodadas de financiamento previstas para o segundo semestre de 2026, através da plataforma de projetos verdes do BNDES. Para profissionais do setor, a certificação em operação de eletrolisadores PEM, oferecida pelo ISI-ER, abre portas em projetos que devem dobrar de tamanho nos próximos quatro anos.

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