Equinor inaugura parque eólico flutuante de 600 MW na costa da Noruega

Equinor inaugura parque eólico flutuante de 600 MW na costa da Noruega

Equinor coloca em operação o maior parque eólico flutuante do mundo, 600 MW, reforçando a liderança da Noruega em energia limpa e oferecendo lições para o Brasil.

Equinor colocou em operação, nesta terça‑feira (5/10/2026), o parque eólico flutuante Hywind Norway II, de 600 MW, localizado a 30 km da costa de Rogaland, Noruega, como parte de um plano de expansão que visa alcançar 5 GW de energia eólica flutuante até 2030.

Contexto global e brasileiro

Em 2025, a energia eólica representou 12,4 % da geração elétrica mundial, segundo a International Renewable Energy Agency (IRENA). A tecnologia flutuante, ainda incipiente, já ultrapassou a marca de 1,2 GW instalada globalmente, concentrada principalmente na Europa e na Ásia‑Pacífico. No Brasil, o potencial de eólica offshore foi estimado em 150 GW, mas apenas 0,3 GW de projetos de fase piloto avançam, impedidos por custos de fundação e logística.

Dados e fatos do Hywind Norway II

  • Capacidade total: 600 MW (12 turbinas de 50 MW cada).
  • Investimento: US$ 1,8 bilhão, financiado por dívida bancária (55 %) e capital próprio (45 %).
  • Produção esperada: 2,4 TWh/ano, suficiente para abastecer cerca de 800 mil residências norueguesas.
  • Taxa de disponibilidade operacional: 96,3 % nos primeiros seis meses de operação.
  • Redução de emissões: estimada em 2,1 MtCO₂/ano.

Como funciona na prática

O parque utiliza fundações do tipo spar buoy, ancoradas a 1.200 m de profundidade marítima. Cada turbina está conectada a um cabos submarinos de 150 km que levam a energia para a subestação onshore de Karmøy. O sistema de controle digital, desenvolvido em parceria com a Siemens Gamesa, permite ajuste de pitch em tempo real, maximizando a captura de ventos que chegam a 15 m/s na zona.

Um ponto crítico foi a logística de instalação: as turbinas foram transportadas em navios de carga pesada MV Hywind, que também serviram como plataforma de montagem, reduzindo custos em 12 % comparado ao método tradicional de uso de múltiplas embarcações.

Desafios reais

  1. Custo nívelizado de energia (LCOE): apesar da queda de 28 % entre 2022 e 2025, o LCOE do Hywind II ainda está em US$ 84/MWh, acima dos 70 $/MWh dos parques onshore de mesma região.
  2. Resiliência climática: eventos de ondas de 6 m exigiram reforço nas amarras, aumentando o orçamento em US$ 45 milhões.
  3. Integração à rede: a intermitência foi mitigada com baterias de 150 MWh instaladas na subestação, mas ainda há necessidade de expansão da capacidade de transmissão norueguesa.

Perspectivas concretas

Com base nos resultados do Hywind II, a Equinor anunciou um pipeline de 2,4 GW de projetos flutuantes para 2028, incluindo o Hywind Scotland III (900 MW) e o Hywind South‑America (1,2 GW) que deverá ser localizado na zona costeira de Pernambuco, Brasil. O estudo preliminar indica que o custo de capital para o projeto brasileiro pode cair para 6,5 % ao ano, graças a incentivos fiscais do governo federal (redução de 15 % no IPI de turbinas) e ao uso de fundações de concreto pré‑fabricado.

No Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) publicou, em junho de 2026, a primeira licitação específica para eólica flutuante, com preço‑base de US$ 78/MWh, alinhado ao LCOE observado na Noruega. Essa medida abre caminho para investidores internacionais e pode acelerar a entrada de 10 GW de capacidade offshore até 2035.

Conclusão e próximo passo para o leitor

O Hywind Norway II demonstra que a tecnologia flutuante pode ser escalável, mas ainda depende de redução de custos de fundação e de políticas de apoio robustas. Para profissionais do setor energético brasileiro, o próximo passo concreto é acompanhar a licitação da ANEEL de 2026, avaliar parcerias com fabricantes europeus e considerar a implantação de projetos piloto em regiões com ventos médios superiores a 9 m/s, como o litoral de Santa Catarina. O sucesso da Noruega oferece um roteiro técnico e financeiro que pode transformar a costa brasileira em um polo de energia limpa de classe mundial.

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